segunda-feira, 21 de março de 2011

Busco na correnteza a força de persistir.
Uma raiz mergulha no chão
cada vez que o remo encontra a água.
Quanto mais caminho, mais enraizado estou.
Firme na decisão de deixar-me ir.
Rio forte
que lava e leva
tudo aquilo que é passado:
percorre e penetra todo o mundo
-- a terra seca tocada por ti
brota sementes guardadas e esquecidas--
faz do antigo
nova invenção de tudo;
grita e respira
o infinito inconstante da vida.

sábado, 12 de março de 2011

Esse blog nasceu de uma raiva liberta. Veio de uma pulsão de vida que precisava expandir-se para além do meu corpo, que não bastava estar em mim, apenas.
Depois tudo que veio já não era mais raiva, sendo ainda a mesma pulsão de vida, que precisava ser raiva no momento de quebrar as paredes confortáveis de uma intimidade incompartilhada, que sempre se quis compartilhável. Realmente como as raízes da árvore que quebram a calçada. Realmente como o movimento de expansão delimitando o espaço onde quero viver.
Sou grata àqueles que de alguma maneira estão acompanhando essa expansão, pois ela precisa de vocês para que esse fluxo possa renovar-se e seguir seu caminho. Esse fluxo que sou eu, seguindo meu caminho.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Ô homem... como eu aprendi a amar você.
Na relação dos corpos, do toque, do olhar, a gente vai aprendendo a amar o outro. A entender as diferenças, a crescer nos desafios, a saber convergir tudo num carinho imenso que transborda por todos os lados. Homem, na minha disposição, na minha coragem, aprendi a amar você. Aprendi a ser tua companheira e a querer-te inteira. Aprendi a inebriar-me com teu toque, a abençoar seu sorriso e seu pranto. Aprendi a amar teu silêncio, aquele que me assustava tanto. Tua silenciosa densidade envolta em mistério.
Aprendi a crescer o amor pra além do medo. A voar sabendo que existe a queda, mas que não existe a morte. De olhos bem abertos, fui percebendo que aprender a amar-te conduzia-me ao caminho infinito de reaprender a amar-me.
E agora, após a queda, cá estou, cabendo inteira dentro de mim. Aprendendo a chamar de passado a presença física desse amor por ti. Na distância dos corpos, do toque, do olhar, vou aprendendo também a amar. Aprendo a amar a impotência e a raiva, a saudade. Reaprendendo o amor por tudo que se manifesta através de mim, o amor infinito pela minha própria alma enriquecida pelo que vivi ao aprender a amar você. Honro o passado, honro este presente que me habita. Ter amado e amar eternamente é o fio de vida que guardo enrolado no peito e com o qual conecto-me ao mundo.