sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Descertezas

Nesse mundo de tantas verdades, eu carrego meu olhar aberto na bagagem. Tantas vezes é ele que me faz doer o peito, duvidar, assustada, perante a verdade do outro, a segurança do outro, e me achar sensível demais pra esse mundo, pequena demais pra esse mundo, incerta demais pra esse mundo. Me faltam certezas, me faltam convicções, me faltam verdades inegáveis. Fraca, fraca, fraca... É este mesmo olhar que me transporta encantamentos, que me propicia encontros tão profundos com tanta gente de tudo quanto é canto. A senhora do ônibus que precisava tanto chorar, o moço que puxava o carrinho de papelão que exalava amor e axé, Dona Cris aos 95 anos com suas piadas, artes e canções, as irmãs que encontrei depois de crescida, Julia, Nina, Chris, Dara, Gisely, Mar, Rety, Carol, Erica, Nina, Estela, Stelle, Ana, Esther, Ana, as pessoas, nas praças, que me confiaram suas histórias de vida, apenas porque eu estava ali, parada, escutando, Dona Maria, seu sorriso aberto, Glória, seu respirar esperanças, Mestre Julio na consrução de suas máquinas, tantos mestres e mestras com seus olhares e histórias. Nessas horas, agradeço esse olhar, que fez com que essas pessoas identificassem em mim alguém que saberia ouvir e falar com respeito. Então reconheço a luz que há em mim, e brilho. Forte, forte, forte. Meu olhar me leva sempre pro outro, seja no medo ou no amor. Seja na sombra ou na luz. Talvez me falte saber fechar os olhos, e só escutar... Na escuta tem uma verdade. tum tum... tum tum....Meu coração me respira inteira. Eu sou um espaço tempo de Deus.