domingo, 27 de fevereiro de 2011

quando a semente é semente, embaixo da terra é perfeito. então a própria terra chama aquela força bruta que a semente tem para romper as próprias paredes e tornar-se outra coisa. As raízes rasgam a terra buscando mais terra. Há um momento então que mais terra não basta e o limite da superfície com o ar tem de ser rompido também. Assim a planta busca a luz; soterrada, remove a terra necessária para que possa respirar. Luta de força constante de quem remove pesos e descobre liberdade (liberdade não é presente dado, é mistério descoberto e assumido). A planta, então, vive em três lugares. No fluxo de si mesma, na terra e no ar. E expande-se em todas as direções como explosão lenta alimentada da própria vida em movimento.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

a terra fecunda brota no penhasco
os sons da rocha quebrando

a terra fecunda é a soma de dois
macho e fêmea na terra dura da encosta

a planta delicadeza de terra brotou
bruta
de uma dor transformada em adubo

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Hoje eu queria ser um grão de feijão. Queria encolher-me tanto pra dentro de mim até diminuir de tamanho e ser uma coisa só, sem braços, nem pernas, nem órgãos em movimento. Eu queria ficar paradinha no meu estado de ser.
Mas acho que a vida está pedindo outra coisa de mim. Parece que quer que eu me abra, me expanda, me entregue, até virar um rio. O movimento do rio não acontece por esforço, mas por entrega. Acho que é isso. De qualquer maneira fico feliz em não ter de fazer esforço nenhum, pelo menos hoje.
Hoje só ser já é bastante coisa.