sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Melô da Dona Sombra

Eu sou feia
Eu sou torta
Eu entorto até o que há de mais reto em mim

Eu entorto
Eu estrago
Eu sou tudo que há de ruim

Eu sou feia
Eu sou torta
Eu sou porca
Quem me quer assim?

Eu sou feia
Eu sou torta
Eu amo até o que há de mais torto em mim

Se por medo
Ou coragem
Não importa porque eu sou assim

Eu sou feia
Eu sou torta
Essa é a natureza de mim

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Rio da Lua

Neste chão onde eu piso o que eu vejo é a terra
Hoje já não me cobre um manto de certezas
O que eu sei é começo de uma caminhada
O que eu sei não é fim nem pretende virar

Ah, rio da lua
A vida não termina no felizes pra sempre
Ah, rio da lua
A vida não termina quando algo se perde
Ah, rio da lua
O início de tudo sempre em movimento
Ah, rio da lua
O caminho é o trajeto do rio para o mar

domingo, 31 de julho de 2011

Rio da Lua

Depois de ver o filme, a vida não acaba no felizes para sempre; também não acaba quando parece que tudo deu errado, também não acaba quando o filme termina.
Encontro-me no espelho. Compreendo-me como minha mãe tantas vezes compreendeu. Conheço as ansiedades desse coração conheço a beleza dele e a grandeza da vida. Nã acaba. Vejo minha vida como um barco navegando no infinito desconhecido, cercado daquilo que eu não sei. Sorrio pra minha crise de fim de faculdade, para a sensação de urgência em fazer tudo certo, resolver tudo, encontrar o homem da minha vida, saber o que vai ser daqui pra frente e ser super bem sucedida, nossa, ser super bem sucedida! E existe isso?
Como é libertador saber que é tudo tão grande, que eu não sei, que meu barquinho tem o tamanho e o jeito dele, e ele é bonito assim.
O agora é tudo o que eu preciso saber!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Acabo de dar uma olhada geral nas postagens desse blog. Menina... Quantos processos! Crescer é mesmo uma coisa muito boa!

sábado, 28 de maio de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

"Ela foi a primeira voz
Desde a primeira vez
Que o som se fez
Nunca desafinou
Nunca perdeu o tom
Cantarolava feliz
Cada verso diz mais
Quando vem emoldurado
Por sua voz
E eu aprendi muito bem
Sempre tento ecoar
A voz primeira
A voz mais bela
A voz de mar
Da minha mãe"
... Jane

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Eu amo ser a mulher que eu sou
Eu amo meus cabelos
Eu amo me despentear
E repentear

Eu amo ser a mulher que eu sou
Eu amo meus cabelos
Eu amo me serpentear

A vida corre seu fluxo em mim
E eu fluo

A vida marca seu ciclo em mim
E eu giro

Sobre cada gota eu danço
Eu vibro

Eu choro eu rio em muitos tons
Eu sigo
Me expando

quarta-feira, 4 de maio de 2011

"Quando o amor vos chamar, segui-o,
Apesar de seu caminho ser duro e íngrime.
E quando suas asas vos envolverem, abraçai-o,
Apesar da espada escondida entre suas penas poder ferir-vos.
E quando ele falar convosco, acreditai nele,
Apesar de sua voz poder esfacelar vossos sonhos como o vento norte arruina o jardim.
Pois mesmo quando o amor vos coroa, ele vos crucifica. Mesmo sendo para o vosso crescimento, ele também vos poda.
Mesmo quando ele chega à vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros que tremem ao sol,
Ele também desce até vossas raizes e abala vossa ligação com a terra.
Como feixes de milho, ele vos une a si próprio.
Ele vos ceifa para desnudar-vos.
Ele retira vossas espigas.
Ele vos mói até ficardes brancos.
Ele vos amassa até ficardes moldáveis;
E depois ele vos designa ao seu fogo sagrado, para que vós vos torneis o pão sagrado do sagrado festim de Deus.
Todas essas coisas o amor fará convosco até que conheçais os segredos dos vossos corações, e, através deste conhecimento, vos torneis fragmentos do coração da Vida.
Mas se, por medo, buscardes apenas a paz do amor e o prazer do amor,
É melhor que cubrais a vossa nudez e que passeis da eira do amor
Para o mundo sem estações, onde rireis, mas não todo o vosso riso, e chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.
O amor não dá nada além de si mesmo e não toma nada além de si mesmo.
O amor não possui nem é possuído;
Pois o amor é suficiente ao amor.
Quando vós amais, não deveis dizer: "Deus está no meu coração", mas sim "Estou no coração de Deus".
E não pensais que podeis dirigir o curso do amor, pois o amor, se achar que mereceis, dirige o vosso curso".

quinta-feira, 28 de abril de 2011

E se cada momento é um presente, esse é macio e quente, envolvendo-me em tranquilidade.
E se cada momento é um presente, haverão outros duros e frios, convidando-me ao movimento.
E se cada momento é um presente, haverão infinitos com infinitas qualidades indescritíveis convidando-me a viver, a amar, a ser.
E se cada momento é um presente, a dor, a raiva, o desabrigo, serão partes de presentes maiores, de respirar, caminhar e descobrir.
E se cada momento é um presente, o prazer e o sentimento de que está tudo certo, serão pequenas castanhas que guardarei na bolsa de viagem para me nutrir aos pouquinhos.
E se cada momento é um presente, presente infinito é também meu próprio ser, que passa por todos esses presentes transformando-se e aproximando-se cada vez mais de si mesmo.

Grata ao presente que sou eu em mim, criatura sagrada em suas perfeitas imperfeições, como todas as outras.

Todas nós.

sábado, 23 de abril de 2011

Vuelvo al Sur,
como se vuelve siempre al amor,
vuelvo a vos,
con mi deseo, con mi temor.
Llevo el Sur,
como un destino del corazon,
soy del Sur,
como los aires del bandoneon.
Sueño el Sur,
inmensa luna, cielo al reves,
busco el Sur,
el tiempo abierto, y su despues.
Quiero al Sur,
su buena gente, su dignidad,
siento el Sur,
como tu cuerpo en la intimidad.
Te quiero Sur,
Sur, te quiero.
Vuelvo al Sur,
como se vuelve siempre al amor,
vuelvo a vos,
con mi deseo, con mi temor.
Quiero al Sur,
su buena gente, su dignidad,
siento el Sur,
como tu cuerpo en la intimidad.
Vuelvo al Sur,
llevo el Sur,
te quiero Sur.
amor. acolher tudo, tudo, tudo que é. criar espaço pra ser. Amor não é sentimento, é postura. Caibo em mim porque me expando. Quero ser, escolho e sigo o que a vida propõe.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Pode parecer frase de parachoque de caminhão (e se for, é, sabedoria, graças a deus, não é elitizada); percebo cada vez mais: O AMOR TRANSFORMA.
Não transforma as coisas fora da gente de maneira que estas se tornem parecidas com o que a gente gostaria, transforma-nos internamente para que até mesmo aquilo que poderia parecer mais terrível seja parte pulsante da vida que escolhemos viver.
Estou aprendendo a não reclamar daquilo que a vida me apresenta. Mais do que isso, estou aprendendo a viver inteira também aquilo que é distante do ideal que construí para mim. O ideal congela, o novo desestabiliza, e o amor transforma, criando a realidade em seu poder pleno. Gente, somos capazes de viver situações muito mais difíceis do que imaginamos E somos capazes de deixar de achá-las difíceis (não necessariamente achá-las fáceis, mas podemos livrar-nos da necessidade de nomeá-las como difíceis).
Bom, isso é o que descobri agora, e é uma verdade pra mim nesse momento.
E chegando a páscoa, e toda essa reflexão de renovação, penso que pra mim a renovação é a descoberta de uma força madura e de pés no chão, que diz: viva essa vida agora, viva o que existe, tudo está bem. Tudo está bem.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Tu olha o frio
Tu olha o mar
Chuva cai na beira do rio (salgado)
Chuva quer encontrar com o mar (amado)
Chuva quer poder navegar

Tu olha o frio
Tu olha o mar
Veja que pra encontrar o brilho
Tudo aqui vai ter que molhar

O medo do mar
olha o frio olha o vento olha a chuva olha o rio olha o mar
o medo chove chuva de rio (gelado)
o medo não tem medo de amar

O rio chove a chuva do mar (inteiro)
o frio está aqui pra avisar

segunda-feira, 21 de março de 2011

Busco na correnteza a força de persistir.
Uma raiz mergulha no chão
cada vez que o remo encontra a água.
Quanto mais caminho, mais enraizado estou.
Firme na decisão de deixar-me ir.
Rio forte
que lava e leva
tudo aquilo que é passado:
percorre e penetra todo o mundo
-- a terra seca tocada por ti
brota sementes guardadas e esquecidas--
faz do antigo
nova invenção de tudo;
grita e respira
o infinito inconstante da vida.

sábado, 12 de março de 2011

Esse blog nasceu de uma raiva liberta. Veio de uma pulsão de vida que precisava expandir-se para além do meu corpo, que não bastava estar em mim, apenas.
Depois tudo que veio já não era mais raiva, sendo ainda a mesma pulsão de vida, que precisava ser raiva no momento de quebrar as paredes confortáveis de uma intimidade incompartilhada, que sempre se quis compartilhável. Realmente como as raízes da árvore que quebram a calçada. Realmente como o movimento de expansão delimitando o espaço onde quero viver.
Sou grata àqueles que de alguma maneira estão acompanhando essa expansão, pois ela precisa de vocês para que esse fluxo possa renovar-se e seguir seu caminho. Esse fluxo que sou eu, seguindo meu caminho.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Ô homem... como eu aprendi a amar você.
Na relação dos corpos, do toque, do olhar, a gente vai aprendendo a amar o outro. A entender as diferenças, a crescer nos desafios, a saber convergir tudo num carinho imenso que transborda por todos os lados. Homem, na minha disposição, na minha coragem, aprendi a amar você. Aprendi a ser tua companheira e a querer-te inteira. Aprendi a inebriar-me com teu toque, a abençoar seu sorriso e seu pranto. Aprendi a amar teu silêncio, aquele que me assustava tanto. Tua silenciosa densidade envolta em mistério.
Aprendi a crescer o amor pra além do medo. A voar sabendo que existe a queda, mas que não existe a morte. De olhos bem abertos, fui percebendo que aprender a amar-te conduzia-me ao caminho infinito de reaprender a amar-me.
E agora, após a queda, cá estou, cabendo inteira dentro de mim. Aprendendo a chamar de passado a presença física desse amor por ti. Na distância dos corpos, do toque, do olhar, vou aprendendo também a amar. Aprendo a amar a impotência e a raiva, a saudade. Reaprendendo o amor por tudo que se manifesta através de mim, o amor infinito pela minha própria alma enriquecida pelo que vivi ao aprender a amar você. Honro o passado, honro este presente que me habita. Ter amado e amar eternamente é o fio de vida que guardo enrolado no peito e com o qual conecto-me ao mundo.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

quando a semente é semente, embaixo da terra é perfeito. então a própria terra chama aquela força bruta que a semente tem para romper as próprias paredes e tornar-se outra coisa. As raízes rasgam a terra buscando mais terra. Há um momento então que mais terra não basta e o limite da superfície com o ar tem de ser rompido também. Assim a planta busca a luz; soterrada, remove a terra necessária para que possa respirar. Luta de força constante de quem remove pesos e descobre liberdade (liberdade não é presente dado, é mistério descoberto e assumido). A planta, então, vive em três lugares. No fluxo de si mesma, na terra e no ar. E expande-se em todas as direções como explosão lenta alimentada da própria vida em movimento.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

a terra fecunda brota no penhasco
os sons da rocha quebrando

a terra fecunda é a soma de dois
macho e fêmea na terra dura da encosta

a planta delicadeza de terra brotou
bruta
de uma dor transformada em adubo

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Hoje eu queria ser um grão de feijão. Queria encolher-me tanto pra dentro de mim até diminuir de tamanho e ser uma coisa só, sem braços, nem pernas, nem órgãos em movimento. Eu queria ficar paradinha no meu estado de ser.
Mas acho que a vida está pedindo outra coisa de mim. Parece que quer que eu me abra, me expanda, me entregue, até virar um rio. O movimento do rio não acontece por esforço, mas por entrega. Acho que é isso. De qualquer maneira fico feliz em não ter de fazer esforço nenhum, pelo menos hoje.
Hoje só ser já é bastante coisa.

domingo, 16 de janeiro de 2011

"Fui dormir perto das três da manhã, com o dia já nascido, dolorido de saudade. Dor física verdadeira, dor da falta que alguém pode fazer, da vontade de sentir e ver. Uma dor que não senti antes. Dor de prazer, de ansiedade, de querer infinitamente bem. Dor que tinha um só remédio: seguir em frente, andar rápido e atento.
Depois de dezessete dias de ausência, como celebração a um astro raro, a neblina se desfez e do leste levantou-se o sol, os raios entrando pela gaiúta de proa e batendo no fundo da cabine. Pensando bem, triste seria nunca ter sentido essa dor.
Antes de deitar, de pé sobre a cadeira de pilotagem, passei a cabeça pela gaiuta do teto. Com a metade do corpo pra fora, de cara para o sol, cabelos puxados pelo vento, gritei:
"Viva o sol, viva a dor que eu sinto.""
"Hoje entendo bem meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio pra desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver. Não há como não admirar um homem-- Cousteau, ao comentar o sucesso do seu primeiro grande filme: "Não adianta, não serve para nada, é preciso ir ver". Il faut aller voir. Pura verdade, o mundo na TV é lindo, mas serve para pouca coisa. É preciso questionar o que se aprendeu. É preciso ir tocá-lo".

domingo, 9 de janeiro de 2011

"A mimosa é a árvore que representa o nosso lado feminino e revela um coração apaixonado. Aprendi muitas lições com a mimosa enquanto subia em seus galhos quando ainda era criança. Ela me ensinou a beleza que reside em se sentir feminina, enquanto suas doces flores perfumavam meus cabelos. Ela me contou o segredo dos Vaga-lumes, e me revelou que eles escondiam estrelas ainda não-nascidas em suas caudas. A mimosa contou-me que essas estrelas cresceriam dentro de qualquer pessoa de coração aberto. Elas assumiriam seu lugar entre a Grande Nação das Estrelas depois que tivessem amado e sido amadas na Terra. A mimosa me disse que as dores e traições que cada coração sofre correspondem a um punhado de água atirada sobre o fogo destas pequenas estrelas, para ver se elas continuariam a crescer, apesar da dor. As pessoas que continuavam a amar, apesar de tudo, se transformariam algum dia em estrelas, e enviariam todo o amor que haviam reunido para todos os outros seres do universo, como uma lembrança do coração aberto do Grande Mistério. A mimosa me ensinou a abrir meu coração e a amar, não importando o quanto fosse grande a minha dor, todas as vezes que eu visse minha estrela se iluminando, na forma de um vaga-lume que passasse voando perto de mim".
o sol buscando o solo
o solo buscando o sol
neste movimento
as plantas crescem

a vida brota em um sol de terra
respirando a fluidez
que constrói o caule,
de cima pra baixo, de baixo pra cima,

a coluna do que é vivo
dançando se existe.