domingo, 21 de novembro de 2010

Eu tenho dentes afiados e arranco pedaços da sua carne salgada pra depois cuspir, eu sou um urso e afio as minhas garras nas paredes da casa de madeira da minha infância, eu mijo em formigueiros enormes e enfio meu focinho, as picadas das formigas me alimentam.
Meu vôo é um vôo de não caber mais em mim de tanta raiva. Meu vôo grita. Eu mordo a carne do mundo, estraçalho tudo o que é ser vivente. Meu jeito de amar agora é esse, tudo é ácido e corrói-se na minha presença. Tudo é merda. Quero quebrar tudo o que precisa ser quebrado. Tenho raiva como as raízes da árvore que destrói a calçada. Tenho raiva como a formiga que pica, e o urso que derruba árvores. Quero cavar a terra com as minhas unhas, até sangrar, e se encontrar pedras no caminho, quero triturá-las com as minhas mãos.
Quero atacar todos os bichos ferozes e lutar com eles até a morte. Quero o machucado aberto de quem se fortalece. Quero urrar e preencher o mundo com este som. A lua cheia é a minha raiva.
O crescimento das plantas é a minha raiva. Quebrar o asfalto. Cuspir o cuspe ácido em tudo aquilo que constrói asfalto. Mastigar a raiva e cuspir, cuspir e quebrar com os pés com a dança que vem da vagina. Da raiva que a minha deusa tem. Cuspir todo o amor e incendiar o mundo.

Um comentário:

Matheus Boucault De Pasquali disse...

"Deus me livre de ter medo agora
Depois que eu já me joguei no mundo
Deus me livre de ter medo agora
Depois que eu já pus os pés no fundo
Se você cair, não tenha medo
O mundo é fundo
Quem quiser no fundo encontra a porta
Do fim de tudo"

Gil - Com medo, com Pedro