A verdade são tantos movimentos, tantos juntos, tão maiores e mais múltiplos do que eu. Eu danço com o corpo e isso é verdade, e às vezes o movimento do corpo parece sintonizar-se com o mundo, e então parece que tenho respostas, que é só continuar-- só que a dança é de encontros e desencontros, nos desencontros sinto-me desengonçada e muitas vezes estou fazendo a mesma dança, só que achando que erro. Se fosse desenhar um esquema de tantas verdades que formam uma verdade tantas, acho que seriam muitos círculos, muitas cores, e nem seria tão bonito, nem tão feio.
Quando existe a transição do momento de encontro pro desencontro, fico com uma sensação de ué. Meio brava porque eu achava que agora a dança ia ser só harmoniosa e era só continuar fazendo daquele jeito, caminhando por aquele caminho. E então vem a minha parceira de dança, que é a vida, que sou eu mesma e que é o mundo, e muda, eu não sei bem como. Ela quer ver o feio também, o desengonço. Também porque ela se diverte com isso e também porque a verdade é maior, né? E precisa do movimento. E o choro... Tudo movimento pra vida se divertir e chorar junto comigo, porque é através de mim que ela dança (?) e é através dela que eu danço.
Enfim... movimento sem fim só pode gerar isso mesmo,,, o feio, o bonito, o sorriso e o choro. Uma coisa que eu descobri quando comecei a fazer artes plásticas foi que todos os pintores já fizeram quadros desengonçados. Claro, eles escolheram fazer isso da vida! E vida pede desengonço. A vida pede graça e desengonço.
Quando estou na transição do desencontro pro encontro, penso: "ah sim! a vida é essa! descobri de novo". Fico querendo que a vida seja só a graça. e eu acredito, ponho fé que agora é só continuar. Faz parte acreditar que não vai ter mais desengonço, pra que quando o desengonço chegue ele seja mesmo um desengonço bem feio. Um pato pelado.
Pois é... bem vindo, pato!
Um comentário:
um pato pelado!
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