domingo, 16 de janeiro de 2011

"Fui dormir perto das três da manhã, com o dia já nascido, dolorido de saudade. Dor física verdadeira, dor da falta que alguém pode fazer, da vontade de sentir e ver. Uma dor que não senti antes. Dor de prazer, de ansiedade, de querer infinitamente bem. Dor que tinha um só remédio: seguir em frente, andar rápido e atento.
Depois de dezessete dias de ausência, como celebração a um astro raro, a neblina se desfez e do leste levantou-se o sol, os raios entrando pela gaiúta de proa e batendo no fundo da cabine. Pensando bem, triste seria nunca ter sentido essa dor.
Antes de deitar, de pé sobre a cadeira de pilotagem, passei a cabeça pela gaiuta do teto. Com a metade do corpo pra fora, de cara para o sol, cabelos puxados pelo vento, gritei:
"Viva o sol, viva a dor que eu sinto.""

3 comentários:

Mirna disse...

Amyr Klink, Mar Se Fim.

pim la piel disse...

viva a dor que eu sinto tb

Maô disse...

obrigada, florzinha.
as coisas clarearam um pouco agora.

amo sua senibilidade
amo você inteira.